quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Assim caminha a humanidade

Neste meu último aniversário fui presenteado com um livro, por um grande amigo: Guia Politicamente Incorreto da América Latina. Inicialmente fiquei vacilante com este título, pois me remeteu aos tempos de faculdade. Boemia e revolução no Clube Comercial, eleição no DCE (Diretório Central dos Estudantes) , reunião no DA (Diretório Acadêmico – órgão representativo dos estudantes dentro das faculdades) , almoço no RU (restaurante universitário), onde o companheiro Sola, hoje secretário de Estado com seus constantes informes sobre o Solidariedade na Polônia, os discursos inflamados pela libertação e a unificação da América Latina, enfim, sonhos de liberdade onde o elo de conexão era Cuba de Fidel e Che. Nossas referências. Eles eram tudo. Será?
O livro narra de forma clara que a salsa de Fidel não se bailava bem assim. Che exterminou em nome do “caminho correto” muita gente, inclusive companheiros de luta, por simples desconfiança. Che era um paranoico. Talvez nos dias de hoje ele fizesse alianças com o narcotráfico em prol de recursos à revolução. Isto não lembra nada nos tempos atuais?
Claro, que precisamos entender a ideologia dos autores do livro. Mas, sem dúvida deve haver alguma verdade. O livro mostra um Che preconceituoso e sinistro. Um homem cruel em nome da revolução. Hoje ele seria inimigo número um do GGB. Perseguiu e matou vários homossexuais.  Luiz Mott deve se tremer todo ao ouvir este nome.
Lembro-me de uma passagem na Faculdade de Arquitetura, em Salvador,  quando ganhamos o DCE com uma chapa chamada LUZ, que os adeptos do marxismo stalinista juravam nos mandar para o paredão , jargão que significava enfrentamento. Che mandou muitos. Quase partimos para porrada , mas os ânimos se acalmaram e resolvemos negociar de forma pacifica.
Além dos homossexuais eram perseguidos os católicos, Testemunhas de Jeová, alcoólatras, sacerdotes do candomblé, e mais tarde, portadores de HIV e qualquer outro que não se encaixasse no conceito de “homem novo”, crédulos a revolução na boa e velha ilha.
É claro que podemos questionar todas as informações, inclusive todo o conteúdo do livro taxando-as de boatos, mentiras e intrigas do capitalismo americano (eterna mania de perseguição que temos dos americanos. Talvez por isso sejamos latinos, e eles americanos simplesmente!) na figura dos autores do livro. Mas, há quem considere invenção que durante os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil e na Argentina, milhares de civis foram mortos por questionarem o regime vigente.
Entendo que tomar o poder pela força hoje seria a maior cilada, pois pouco se aventurariam, até o camarada dos camaradas. Che ficaria nu em praça pública dando milho aos pombos. A rapaziada hoje lutaria em games revolucionários, mas jamais subiria Sierra Maestra ou  Araguaia.
Assim, cabe refletirmos positivamente,  após a leitura do livro que tudo é possível quando temos ideais. O ideal de Che era ter uma América livre. Hoje temos a liberdade, no bom e velho capitalismo selvagem, cheio de contradições, mas somos mais livres do que nunca. Logo, é melhor o cara ter do que não ter. Imagine nossas vidas sem celulares, notebook, redes, internet,Iphone’s, IPAD’s, enfim, seriamos todos camaradas, unidos sem fio, num wireless global vazio, numa sociedade de consumo perversa. Nossos ideais são outros. Assim caminha a humanidade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Regata Aratu Maragojipe 2011

Toda vez que me olho, percebo que meus joelhos já não são mais os mesmos. Correr só com tênis especiais. Aventuras na chapada só com muito planejamento, mas meu espirito de aventura continua o mesmo da minha juventude. Talvez, seja esta minha melhor forma de me atualizar e me reciclar. Apreender nos erros, pois pior é não ter tentado. Vou contar.
Meu amigo e compadre Adriano comprou um veleiro. O Desmantelo. Este é o seu nome. Nada mais apropriado, pois segundo ele desmantelo: “ É vida , alegria e quebra de regras”. Pois é. Quando ele me fez o convite para participar de sua tripulação na regata aceitei o convite de cara, pois aventura é comigo!
Agendamos dia e hora. Encontramo-nos numa espécie de congresso técnico no Aratu Iate Clube, regado a coquetel muito alegre e divertido. Adriano ( a partir daqui ,pela ordem, capitão!) e sua querida companheira Fernanda, formavam comigo o trio que na manhã seguinte estaria velejando pela Baia de Todos os Santos rumo a Maragogipe.
Após o show saímos para dormir no barco. Pegamos uma espécie de taxi náutico que nos levou ao barco ancorado num boia com o nome esquisito que não consegui gravar o nome. Aos meus roncos, sob protesto do capitão na manhã seguinte, rumamos à boia de largada. No meio do caminho tivemos um pequeno problema de falha do motor, logo resolvido, mas claro com a tradicional ansiedade do capitão, quase ficávamos a deriva, mas tudo se resolveu. Rumamos à boia.
Ao chegarmos ficamos rodando em círculos aguardando o sinal da largada, pois barco não tem freio de mão, ou seja, não fica parado.
Dado a largada da nossa bateria, começamos a velejar, mas e o vento? Sumiu. Uma calmaria tomou o inicio da prova. Sem vento, velejar passa a ser caçada. Só que de vento, jargão que aprendi nesta regata junto, proa , popa, calado, vela de popa e muitos outros que enriqueceram meu vocabulário.
 Após caçarmos bastante, conseguimos pegar o rumo de Maragogipe.  Claro que o capitão indo à loucura em busca de uma melhor posição. Ele estava para “pirão”, ou seja, ele queria ficar pelo menos na primeira divisão. Para mim era mais uma aventura. Mas, comando é comando, ouvi atentamente todas as ordens que vinham em minha direção. Içar velas! Mudar de lado! Manter o leme! Verificar posição de boias de localização! Enfim, me senti assinando um contrato novo de venda de imóvel, pura pressão!
Diante de todas as dificuldades pela nossa inexperiência, inclusive do capitão, conseguimos chegar à entrada do Rio Paraguaçu, mas ainda estávamos na metade do caminho. Nova calmaria, mas chegamos. O Desmantelo sofreu muitas avarias. O capitão ficou decepcionado, pois quase foi para segunda divisão, mas com muita garra o importante foi completar a prova na vela. Valeu capitão!
Tirei desta aventura, algumas lições:
1.       Como impressiona o silêncio. Quando todos os barcos desligaram o motor, o silêncio é total. Como somos barulhentos. Fiquei refletindo sobre isto durante o retorno.
2.       Planejamento é fundamental. Pecamos por não termos montado uma estratégia de trabalho. Delegação de tarefas. O tradicional plano “B” no caso de ocorrências.
3.       Velejar é paciência, logo o controle da ansiedade é fundamental para o sucesso de uma regata.
4.       Trabalhar em equipe é fundamental. Bordão fatídico, mas verdadeiro! Fomos pego pela fadiga mental associada à ansiedade costumeira do meu querido capitão! Fomos penados neste quesito.
5.       Às vezes é melhor participar do que competir, principalmente quando ainda não desenvolvemos habilidades especificas necessárias em uma regata, ou seja, tínhamos habilidades para velejar, mas para competir não!
Assim, diante de tamanha aventura, mas uma vez obtive aprendizado. Fortaleci meu elo com Adriano, grande amigo e parceiro, talvez a maior lição. Revi muitos amigos na regata, Cicinho, Almir, Dondon, Aline e muitos outros, por exemplo. Convivi no mundo da vela, onde o senso de amizade e cooperação é muito forte. Espero participar de novas experiências. Viver é me manter jovem na alma, pois para os joelhos existe anti-inflamatório. Minha alma continua leve. Valeu, capitão!

domingo, 29 de maio de 2011

Exemplo sim!

O mundo é cheio de exemplos. Neymar exemplo de atleta e filho. Corinthians exemplo de raça. Vinhos franceses, exemplo de tradição e qualidade , principalmente os bordeaux. Os suiços, exemplos de neutralidade. Bahia exemplo de beleza e cordialidade, enfim, um sociedade só se constrói com exemplos. Educação também. E liderados seguem os exemplos.
Numa familia, os exemplos dados pelos país norteam o mundo dos filhos, pois funcionam como parâmetros. País equilibrados, filhos também. Poderia escrever um pseudo livro dentro deste tema, contudo vou poupá-los, mas é a mais pura verdade. Hoje temos que sermos autênticos. Palavra muito utilizada por minha santa mãe, D. Cândida, exemplo de mulher, pois autencidade significa : "aquele que pode se dá fé". É isto, morrer em defesa de uma causa. Limite entre o pensar e agir. Logo, os filhos precisam de exemplos. As vezes me pergunto, viajo na maionese tentando entender, por exemplo, como Keith Richards, dos Roling Stones inicia uma conversa sobre drogas com os filhos, se ele é usuário aberto de drogas, sejam elas as mais leves até as mais pesadas. Que referência ele tem? O papo não é moral, e sim, exemplo.
Nas empresas, se cultuarmos o hábito de diariamente, antes de começar nossas atividades, refletirmos sobre o nosso papel dentra dela , nos perguntando: somos lideres exemplos ou exercemos nossa liderança pela força, sem exemplos? Isto nos dará um ideia de como estamos e podemos então alinhar ou corrigir rumos.
A motivação é o elemento de aproximação entre o que a empresa deseja de você e o que você deseja em sua carreira, no seu sucesso dentro dela. Para isto acontecer precisamos exercer diariamente, nossa capacidade de unir os nossos exemplos de conduta pessoal e profissional. Não cabe mais falar, cobrar e exigir comportamento ético, se não temos atitude comprometida com a verdade. Não sejamos moralistas novamente. Mas será que acreditamos num médico gordinho, dizendo que precisamos emagrecer? Ora, sejamos humanos. Erramos , choramos e aprendemos. Isto nos transforma, nos realiza. Gera confiança. Confiança gera credibilidade. Agora pense num homem em que todos são crédulos a "ele". Ele forma seguidores. Seguidores são mais do que colaboradores, e sim, condutores imprescindiveis. Produtores motivados com as garras afiadas para competir lado, luta até cair. O último samurai a serviço do rei.
Assim, precisamos construir uma sociedade pelo exemplo. Não cabe relatar, e sim, executar sem perdermos nossa autenticade. Nossas decisões são extensores, pois o nosso dia a dia é a nossa melhor medida entre todos os pesos que precisamos carregar, confortar e realizar.