sexta-feira, 27 de março de 2009

A magia de negociar com sabedoria


Será que existe um receita padrão quando partimos para uma negociação, seja em casa, com os amigos ou no trabalho? Como um bolo de chocolate existe alguns parâmetros, ou melhor, uma receita básica, mas que pode ser customizada através da nossa criatividade. Começamos a entende a arte de negociar.
Para influenciar pessoas é preciso autoconhecimento. O quanto você se conhece? Emoções demasiadamente afloradas pode ajudar, ser um diferencial ,mas também pode passar uma idéia de desequilíbrio. Lembre-se: toda negociação tem no mínimo duas partes envolvidas.
“Quem não se comunica se trombica”, bradava em alto som o velho Guerreiro , o Chacrinha, sem dúvida, a comunicação é essencial. Não é possível negociar sem uma comunicação eficaz. Outro ponto importantíssimo é o relacionamento entre as partes. Elas se vêem como inimigas ou estão trabalhando conjuntamente para resolver um problema? A negociação será melhor se ambas as partes acreditarem que buscam resolver uma preocupação comum e devem descobrir como lidar com suas diferenças. Outro elemento que deve ser levado em consideração é o interesse. Independentemente de cultura, idade, raça, cor, religião, as pessoas têm seus próprios interesses - sucesso, aceitação, dinheiro, terras, segurança. Eles variam em função das circunstâncias, e para negociar é preciso descobrir qual é o real interesse da outra parte. Para chegar a um acordo, deve-se proporcionar algo que desperte o interesse do outro sem prejudicar o seu interesse. Este é o contexto geral. Agora temos os detalhes, a perfumaria.
É preciso distinguir o relevante ou não no processo de negociar, ajudando a administrar o tempo. Assim, é preciso conhecer bem do seu negócio para oferecer os benefícios certos e as soluções desejadas pelas partes envolvidas. É preciso ser franco e persuasivo sem usar coerção. Isto faz com que seus pontos de vista sejam apresentados, respeitando os interesses do outro lado. Muita criatividade nesta hora ajuda muito. Um redator de publicidade passa horas escrevendo frases curtas e registrando, exercitando a criatividade. Por isso, busque informações sobre seu “adversário”, tente entender o seu perfil de comportamento, isto te ajudará no entendimento de seus desejos, bem como da sua conduta.
Percebemos então que negociar requer planejamento, encadeamento e conclusão. Não esqueço nunca o bolo de areia feito por D. Cândida, minha mãe, batido a mão, ingredientes normais, mas de sabor próprio. Ora, podemos ter sucesso nas nossas negociações quando usamos de sabedoria de sermos nós mesmos, utilizando ferramentas facilitadoras que nos auxiliarão no caminho a percorrer. Manter o foco no planejado nos trará, sem dúvida, resultados satisfatórios. Por isso, criatividade e amor são dois ingredientes importantes na magia pela negociação saudável e distinta.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Shopping Iguatemi:Imagem corporativa negativa


Reconheço que fiquei assustado com a blitz feita pela vigilância sanitária, no Shopping Iguatemi , na praça de alimentação do primeiro piso, onde foram encontrados em diversos restaurantes ,principalmente no Habib’s e outros, condições de higiene adversas. Ora, meu propósito neste blog é ampliar a discussão na área de marketing e suas interfaces, mas diante dos fatos vejo uma oportunidade para falarmos de imagem corporativa. Infelizmente neste caso imagem corporativa negativa. Não vou concentrar minha análise nas lojas e restaurantes, pois no mundo corporativo, pequenas marcas surgem e desaparecem rapidamente, traduzindo: O Iguatemi é o quinto maior shopping em faturamento no Brasil , ele sim, precisa fiscalizar bem as condições de higiene dos seus restaurantes, caso ele tenha o foco em satisfação do consumidor, criando valor necessário para permanecer no mercado, algo que acredito, pois Iguatemi cresceu junto com nossa cidade e tem mais de trinta de mercado. A ação do Estado é preventiva e punitiva , mas uma imagem negativa vai além do que representa uma multa elevada, mas pode ameaçar a sobrevivência do negócio no mercado. Caso que o Iguatemi precisa atentar.
Desde a antiguidade as marcas sugiram para promover mercadorias. As populações em sua maioria analfabetas tinham nos símbolos, selos e siglas a oportunidade de identificar onde ficavam as lojas de calçados, os açougues, as casas de vinho e outros. Enfim, surgiam às marcas. Com a evolução do comércio, na Idade Média surgiram as corporações de oficio que começavam a ter necessidades de criar suas marcas de comércio para identificar seus produtos, evitando falsificações, bem como controlar a qualidade dos produtos produzidos. As marcas passam a ter mais funções, tornam-se instrumentos de vinculo entre o produtor e o consumidor. No século XIX , as marcas ampliam seu conceito para serem também marcas de comércio e indústria , face aos avanços da Revolução Industrial. A partir deste momento as agências de publicidade da época começam a sorrir. Novas oportunidades de conceituar marketing surgem. Observamos que construir uma marca leva tempo e recursos.
Precisamos estar atentos e fortes aos efeitos positivos e negativos que as marcas, mas precisamente, na identidade que o consumidor absorve ao ver uma . No Iguatemi ficou uma identificação aos fatos de descaso e omissão, pois a mídia estampa em primeiro lugar a marca de maior intensidade, o Shopping Iguatemi, para em seguida as marcas secundárias, ou seja, dos restaurantes. Nesta situação, os pequenos empreendimentos sofrem menos, até porque tem marcas pouco consolidadas, mas os grandes não.
Assim, resta ao Shopping Iguatemi ficar de olho , pois para o Estado punir através de multas é uma rotina relativamente fácil. Saúde pública é coisa séria, abate com grande intensidade, principalmente, a consumidores informados. Este é o nosso papel, sugiro de vez em quando visitarmos as cozinhas dos restaurantes que freqüentamos. Já o Iguatemi, sugiro ampliar o foco da segurança patrimonial interna , para somar nas áreas de fiscalização sanitária, nutricional e de higiene de seus lojistas. Os consumidores agradecem.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Consumismo: Ter para Ser, ou Ser para Ter?

Achei o texto de Profa. Denise muito bom. Aproveitem!

Por Denise Mendonça de Melo

Todas as pessoas precisam consumir a fim de satisfazer suas necessidades básicas para a sobrevivência. O consumo apresenta-se como atividade natural e saudável, quando praticado de forma consciente e dentro do necessário, sendo assim indispensável. Até então, nenhuma novidade. O fato é que esta aquisição de bens vem, de longa data, sendo feita de maneira desenfreada pelos diversos segmentos da sociedade a ponto de abalar as estruturas financeiras das pessoas.
O sujeito, tentando se estruturar como um ser completo, mesmo que momentaneamente, usa o recurso das compras para aliviar seus conflitos. Tal comportamento desvirtua o pensamento do indivíduo que se confunde com as noções de ter e ser. Desta forma, percebe-se uma banalização da experiência humana que vem se caracterizar, dentre outras formas de atuação, pelo comportamento consumista irracional. Acredita-se que quanto menos o sujeito se percebe como tal, não se estruturando na base do ser, mais ele precisa ter, comprar, sentir-se dono de algo concreto, palpável, então menos ele consegue ser, transformando essa questão em um círculo vicioso.
O ser humano, eterno insatisfeito por excelência, apresenta-se sempre com uma vontade a ser saciada, enquanto isso não acontece, o descontentamento é inevitável, então, quando o desejo é satisfeito, a vontade cessa por pouco tempo dando lugar a uma outra vontade. Dessa maneira o sujeito tende a uma satisfação superficial e imediata de seus conflitos interiores que se apresentam sintomaticamente através do consumismo. Quando o indivíduo é consciente desta dinâmica, mas não consegue viver de outra forma, acredita-se que o seu desconforto seja bem maior.
Aos olhos da Psicanálise a pessoa apresenta-se como sujeito desejante e cheio de necessidades originadas das mais diversas etapas da vida, muitas derivadas de experiências da primeira infância. O ato de comprar, para a maioria, aparece mexendo com os sentimentos de gratificação e proteção que remetem a esta etapa inicial da vida da criança.
De forma simplificada pode-se explicar da seguinte maneira: Sabe-se que o recém-nascido obtém satisfação de suas necessidades através dos cuidados de sua mãe, ou de quem desempenha esse papel. Tal atividade garante a formação das primeiras relações sociais da pessoa com o mundo. O bebê tem sensação de completude quando vivencia esse momento de forma satisfatória com sua mãe.
Nessa mesma fase do desenvolvimento da criança (0 a 02 anos de idade) ela tende a incorporar e possuir os objetos que a cercam, ou seja, tende a levar tudo o que vê à boca, na tentativa de conhecer esses objetos. As pessoas que não passaram bem por essa fase, ficando fixadas nela, possivelmente, desenvolvem comportamentos consumistas, comprando muito na tentativa inconsciente de adquirir mais e mais objetos independente de sua utilidade prática. Pode se referir ainda, nesse mesmo contexto, àqueles que comem demais,bebem demais e fumam demais ou tudo isso ao mesmo tempo.
Entretanto, é perceptível a manipulação que o marketing realiza com seus apelos fascinantes em cima da fragilidade humana. Este instrumento de persuasão e sedução é utilizado em larga escala, potencializando uma necessidade que o indivíduo já possui, podendo causar interferência na capacidade de distinção entre o que se deve e o que não se deve ser comprado. Incide exatamente em cima das noções de necessidade e desejo que conjuntamente às questões psicológicas já mencionadas atinja um resultado imensurável.
Quando o comportamento consumista e a concomitante fusão do ser e do ter incomodam de forma significativa, implicando na diminuição da qualidade de vida, é recomendada uma psicoterapia.
Principalmente quando a pessoa nunca consegue se perceber satisfeita a não ser pela via da posse de algo. O consumismo realmente descontrolado, que ocorre mesmo independente das possibilidades econômicas da pessoa, pode evidenciar um comprometimento psíquico de maior relevância, ou um simples descontrole emocional momentâneo.
É importante ressaltar, contudo, que nem todo comportamento consumista é fruto de uma psicopatologia. Muitos convivem harmoniosamente com o seu desespero aquisitivo, evidenciando que essa é sua forma de estar no mundo e que isso não os incomodam em nada.
Também é interessante apontar que mesmo diante de uma sociedade basicamente consumista, muitas pessoas vivem sem se sentirem fascinadas ou mesmo hipnotizadas por vitrines extremamente bem elaboradas e promoções dos mais diversos tipos. Naturalmente, compram o que necessitam, sem depender desse procedimento para se sentirem felizes e realizadas.
* Denise Mendonça de Melo é psicóloga, formada pelo CESJF (Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora).