sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Preço é fundamental?


Esta semana sai com Júlia, minha querida filha, para comprar seu presente de aniversário. Como tínhamos estabelecido um teto de gastos ela ficou atenta com os preços firmados. Os produtos têm seus preços fixados com objetivos diferentes: maximizar os lucros, elevar a quantidade vendida, conquistar novos clientes, ganhar concorrências, enfim, estabelecer elemento de troca e dar valor a produtos ou serviços.
Agora, o processo de decisão de preço está relacionado com a busca de um equilíbrio interno e externo: por um lado, o preço de um produto precisa atender às condições de concorrência de mercado e de valor atribuído pelos clientes, e por outro, a fixação desse preço necessita sustentar as políticas da empresa, tais como: nível de investimento, de produção, de remuneração do capital aplicado, de cobertura dos seus custos, etc.
Existe duas abordagens importantes na definição de preço: os custos e o mercado. Quando falamos dessa premissa supomos que o mercado está disposto a aceitar os preços de venda determinados pela empresa, calculados com base em seus custos, ou seja, o percentual escolhido de margem adicional deve cobrir todos os custos, todas as despesas de venda, distribuição, financeiras e administração, todos os impostos e proporcionar um lucro satisfatório e uma remuneração adequada com a venda sobre o capital empregado.Parece perfeito. Mas e a concorrência? Como ela está trabalhando? Será que basta vermos os nossos custos e a partir daí definirmos nosso preço? Este é o nosso desafio.
Próximo a minha casa têm o cachorro quente de Bolero. Passo todos os dias na sua porta e vejo fila. Sempre me pergunto: por que está sempre cheio já que o preço dele é quase igual ao de Cabeça, seu concorrente direto? Penso sempre nas estratégias, pois algo deve ocorrer, fazendo Adam Smith, e sua “mão invisível” se removerem no túmulo.
Vamos estabelecer que o mercado se caracteriza pela orientação da demanda e oferta, mas avalia outros aspectos relevantes como os fundamentos de marketing, da sociologia e da psicologia.O termo mercado é utilizado para caracterizar estes modelos porque o mesmo engloba tanto as condições e variáveis do lado da procura do consumidor, quanto às condições e variáveis da oferta de produtos pelas entidades vendedoras.
Estrategicamente para o prestador de serviço, o mais importante é observar suas necessidades, seus recursos e o valor agregado no serviço/produto ofertado. Ao observar as necessidades do consumidor, formulando estratégias e decidindo quais grupos e quais necessidades são as mais importantes para atender, em função de seus recursos e objetivos. Partem do princípio de que é possível praticar discriminação de preços, ou seja, vender o mesmo produto com preços diferenciados a diferentes segmentos de mercado, embora tenham praticamente o mesmo custo. Cabeça e Bolero bebem nesta fonte.
Percebemos então que custos e mercado se fundem com pitadas de teoria econômica. Os custos podem não ser o fator principal e determinante de preço de venda, mas sem dúvida nenhuma são fatores limitantes, pois as empresas não sobreviverão, em longo prazo, se venderem seus produtos de forma contínua abaixo dos seus custos. Já abordagem mercadológica relaciona estrategicamente com seus clientes e competidores diretos, mas que, no entanto, podem não garantir a continuidade do negócio no longo prazo, por ignorarem a estrutura de custos e despesas da organização. Cabeça e Bolero num ritmo frenético buscam suas fusões, estudos e diferenciações. Toda empresa precisa de um contador e um observador. História e ciências dão o tom do sucesso de ambos.